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SOL · Crítica e ensaio

A evolução do mais forte

O PRAZER DA LEITURA

A evolução do mais forte

Em 1939, o jovem John Maynard Smith, estudante de Engenharia no Trinity College Cambridge, voluntariou-se para servir a Inglaterra na Segunda Guerra Mundial como engenheiro aeronáutico. Devido à sua miopia acentuada, a oferta foi recusada, e sobre isso ele afirmaria, com ironia: “Foi uma vantagem selectiva o que me salvou de ser abatido.” Três décadas mais tarde, Maynard Smith tornou-se um dos mais eminentes eminentes biólogos evolucionistas e geneticistas da sua geração.

Especialista nas teoria da evolução, dos jogos e dos sinais e na evolução do sexo, Maynard (falecido em 2004) é um dos muitos nomes notáveis da ciência do século XX que investiram não só na validação académica dos seus contributos, mas também na sua divulgação junto do público geral. Neste sentido, o seu nome não podia deixar de figurar entre os autores representados na colecção “Ciência Aberta” da Gradiva, responsável por parte muito significativa da possível literacia científica dos leitores portugueses. Depois de Os Problemas da Biologia (1994), é de Maynard Smith a assinatura, em parceria com o bioquímico húngaro Eörs Szathmáry, do número 156 da colecção.

As Origens da Vida, com o subtítulo Do Nascimento da Vida às Origens da Linguagem, é uma entusiasmante abordagem à biologia moderna. Cativante mesmo para os mais alérgicos à linguagem científica, graças à tradução de conceitos complexos em explanações claras através das quais Maynard e Szathmáry apresentam a nova representação da teoria da evolução que defenderam entre os seus pares em 1995. Para a resumir, voltemos à miopia de Maynard.

Segundo Darwin, a falta de visão do biólogo seria encarada como uma falha dos seus ascendentes em lhe transmitirem características de sobrevivência mais capazes do que as de outros indivíduos no caminho da selecção natural. A esta conclusão, Maynard e Szathmáry acrescentaram uma pergunta: mas como, ao longo do processo evolutivo, se transformou o modo como esse tipo de informação genética foi transmitida de geração em geração, desde as origens das primeiras moléculas replicadoras à origem da linguagem”? Em treze capítulos, As Origens da Vida defende esta teoria das “grandes transições” ocorridas das origens da vida às sociedades humanas, a partir de conceitos básicos de biologia molecular e do desenvolvimento. Para ler de lápis na mão, mas não sem prazer.

As Origens da Vida

John Maynard Smith e Eörs Szathmáry

Gradiva

285 págs., 17 euros

© Filipa Melo · Todos os direitos reservados.

Texto fornecido pela autora. A data indicada provém do nome ou pasta do ficheiro original.

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